TUMOR DE HIPĆFISE
- Prof. Dr. AmƩrico Rubens
- 21 de fev. de 2020
- 3 min de leitura
Atualizado: 6 de fev.
Prof. Dr. AmƩrico Rubens Leite dos Santos

A hipófise Ć© uma pequena glĆ¢ndula localizada na base do crĆ¢nio na regiĆ£o denominada sela tĆŗrcica. Esta glĆ¢ndula Ć© direta ou indiretamente relacionada com todo equilĆbrio hormonal da espĆ©cie humana. Todas as nossas atividades da vida diĆ”ria sofrem influĆŖncia da hipófise. Diversos hormĆ“nios produzidos na hipófise controlam a secreção de vĆ”rias outras glĆ¢ndulas. Os hormĆ“nios produzidos pela hipófise tem uma importante função regulatória em nosso organismo.
Diversas doenças podem acometer esta região, como tumores, inflamações, infecções e patologias vasculares. Os sintomas da doença hipofisÔria são múltiplos, mas frequentemente incluem distúrbios hormonais.
Tumores da Hipófise

Os tumores da hipófise sĆ£o em sua maioria benignos e de crescimento lento. Os tumores mais comuns sĆ£o os chamados adenomas. Podem ser classificados quanto ao seu tamanho em microadenomas (quando menores que 1 cm) e macroadenomas (quando maiores que 1 cm). Estes tumores podem ou nĆ£o causar quadros clĆnicos endócrinos, tipicamente relacionados ao excesso de produção hormonal, como a DoenƧa de Cushing, o Gigantismo e a Acromegalia entre outros. SĆ£o entĆ£o classificados como tumores funcionantes.
Os adenomas de hipófise que nĆ£o causam quadro clĆnico endócrino tĆpico, sĆ£o chamados nĆ£o funcionantes. Estes tumores sĆ£o inicialmente silenciosos e podem de maneira insidiosa causar perda progressiva da visĆ£o. Isto acontece, pois, a hipófise se localiza logo abaixo da regiĆ£o onde os nervos da visĆ£o confluem, o quiasma óptico. O crescimento dos tumores da hipófise pode causar compressĆ£o dos nervos da visĆ£o e do quiasma óptico. Os adenomas nĆ£o funcionantes podem tambĆ©m causar dores de cabeƧa e sintomas relacionados Ć deficiĆŖncia de secreção de um ou mais hormĆ“nios da hipófise. Os adenomas podem lentamente destruir a glĆ¢ndula normal, gerando a perda de praticamente todos os hormĆ“nios secretados pela hipófise. Tal quadro Ć© denominado Pan-hipopituitarismo.
Em casos extremos, durante o crescimento do tumor, este pode sofrer um grande sangramento ou necrose em seu interior causando perda aguda da visão e insuficiência adrenal. Tal quadro é denominado Apoplexia HipofisÔria e requer tratamento médico urgente.
Tratamento dos Tumores da Hipófise
Uma grande parte dos tumores da hipófise pode ser apenas um achado de exames. Muitos microadenomas nĆ£o funcionantes nĆ£o causam nenhum quadro clĆnico, permanecem estĆ”veis por muitos anos e raramente necessitam tratamento. Estes tumores sĆ£o denominados incidentalomas.
Um dos tumores de hipófise mais comuns, sĆ£o os adenomas secretores de prolactina ou prolactinomas. Estes tumores produzem um grande aumento do hormĆ“nio prolactina. Isto causa eventualmente galactorreia (saĆda de leite pelas mamas) e amenorreia (parada da menstruação). Nos homens se manifesta principalmente por diminuição da libido, impotĆŖncia e alteração da pilificação.
Estes tumores são frequentemente, eficazmente, tratados com medicação e raramente necessitam cirurgia. O tratamento cirúrgico fica reservado para casos que não respondem ao tratamento medicamentoso, intolerância à medicação, perda progressiva da visão entre outros.
Os demais Tumores de Hipófise necessitam em geral de tratamento cirúrgico. A cirurgia da Hipófise passou nos últimos anos por marcante processo evolutivo. O advento do uso do endoscópio e a parceria entre neurocirurgiões e otorrinolaringologistas, trouxe impacto marcante nos resultados da cirurgia hipofisÔria.
A cirurgia endoscópica endonasal utiliza o nariz e os seios paranasais como via de acesso aos Tumores de Hipófise. Ao utilizar uma cavidade natural de nosso organismo, evitamos então cicatrizes, corte do cabelo e manipulação do tecido cerebral. Atualmente este procedimento cirúrgico é muito seguro e eficaz. Nenhum tipo de cirurgia é isento de potenciais complicações, mas com a técnica cirúrgica atual, realizada por equipe experiente, estas são progressivamente mais raras e na maioria transitórias.